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Escolher ou ser escolhido

Em um determinado momento da minha vida, por volta dos meus vinte e poucos anos, tive a oportunidade de presenciar um palestrante abordar um tema bastante interessante e intrigante. Ele começava por uma pergunta: Você faz hoje o trabalho que escolheu fazer? Para o aumento da minha angústia ele vinha com uma outra igualmente inquietante: Você trabalha na empresa que escolheu para você? Eu só pensava em onde ele queria chegar com aquele papo.

Bom, depois disso, estudando comportamento no trabalho por alguns anos, e exercendo algumas funções de gestão, venho refletindo mais e mais sobre esse assunto. Chego à conclusão (agora com meus trinta e muitos anos), que o tema abordado naquele dia por aquele (famoso) palestrante, é absolutamente essencial para o sucesso profissional e pessoal. Sei que nessas linhas não falo sobre a “repimboca da parafuseta” (ou algo ainda mais complicado); mas sei que volto a tratar de um assunto que chega a ser angustiante para grande parte dos seres humanos que estão no mercado de trabalho.

A escolha do trabalho e da vida que queremos não é algo tão fácil ou mágico como pode parecer algumas vezes em palestras, livros ou filmes. Mas, por outro lado, verificamos que se torna uma coisa bastante provável quando existe uma “preparação” para isso. Destaco a palavra “preparação” para lembrarmos do processo que leva o atleta àquela final de um campeonato mundial.

Não foi por sorte, acaso ou qualquer outra razão que se chegou a um momento onde se sonhou tanto. Muito treinamento, abdicação de centenas de horas de lazer, disciplina com as tarefas a serem cumpridas ao longo do caminho e, mais do que qualquer outra razão, eu destaco o foco e a prioridade com que a busca por esse momento foi tratada.

Quando esse atleta é entrevistado, antes ou após a prova que define o campeonato mundial, muitas vezes ele relata que jamais imaginou chegar a tal ponto; chega a afirmar que ficaria muitíssimo feliz e realizado com conquistas muito mais modestas (um campeonato nacional ou até regional).

Quando transferimos essa situação para o mundo das organizações, percebemos uma realidade muito parecida. Conhecem-se pessoas desenvolvendo tarefas profissionais que lhe trazem muito prazer e satisfação material. Quando digo satisfação material, não entro no mérito de quantificar isso em dólares ou reais. Satisfação é algo um tanto complicado de generalizar.

O importante é tê-la. Nesse caso, falamos de um indivíduo que trabalha no que escolheu ou, em outras vezes, na empresa em que gostaria de fazer parte. Conto de fadas? Não! É mais uma vez a situação do atleta se repetindo. Foco nos objetivos traçados, atenção no aparecimento das oportunidades (ou a criação da própria oportunidade), resiliência quando confrontado(a) com dificuldades e/ou adversidades e, como característica principal, persistência.

Pode parecer que esse artigo não tem, necessariamente, uma preocupação com aqueles profissionais que estão hoje em um lugar ou atividade indesejados, em função dos compromissos com a família e com o meio em que se vive.

Aproveito para dizer que não é nada disso. É evidente que em muitos momentos da vida temos que ter atitudes centradas e racionais que, vez ou outra, contrariam nossos próprios interesses pessoais. Não é o propósito desse texto fazer com que os leitores resolvam chutar o balde no dia seguinte. Mas tem sim o objetivo de despertar para a responsabilidade que temos pelas decisões que tomamos pela vida. E, como diz a música, “o caminho só existe quando você passa”!

Bom trabalho!
Marcelo Jabur

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