instrumenta

artigos

Visão sistêmica - Colaborador

Da mesma maneira que a “visão sistêmica” (visão do todo) deverá tornar o “comandante” mais eficiente, poderá também fazer com que os funcionários tomem uma maior consciência de seus deveres dentro da empresa. Um maior comprometimento, associado a um senso maior de responsabilidade, deve passar a pautar o comportamento deste profissional.

A visão do colaborador dentro da empresa, não deve jamais se limitar às suas funções específicas nas atividades descritas em suas funções; ele, através desta nova filosofia (visão holística/sistêmica), passará a observar diversos fatores que podem determinar a qualidade de seu trabalho. Compreender que o cliente é um ser complexo, que não se limita a ser um número simplesmente; entender que estes indivíduos têm suas vidas pessoais influenciando suas ações constantemente.

A reflexão sobre os fatores que podem determinar a forma de comportamento dos clientes é crucial para a tomada de atitudes mais acertadas no dia-a-dia. Entender a influência da família, dos amigos, da condição sócio-econômica, entre outros pontos, pode ajudar o profissional a agir de forma mais eficiente em todo o processo de negociação. Trata-se de decidir suas ações baseado em um contexto muito mais amplo do que o usual.

Quando falo em usual, me lembro das várias reclamações que recebo de amigos, colegas e alunos dos cursos de pós-graduação que relatam a dificuldade de relacionamento com seus alunos e clientes. É bastante comum que os profissionais isolem simplesmente as situações de desgaste e as trate como fatos completamente alheios a uma realidade muito maior. Uma simples atitude de indisciplina ou de desrespeito de um aluno com outro na escola leva o profissional da educação a se limitar a uma decisão punitiva para o fato específico. Não há, neste caso, o exercício de enxergar a “floresta”. Existe apenas o olhar para aquela “árvore” específica (o desentendimento entre os alunos). A atenção para a visão da “floresta” levaria a refletir sobre as razões que levaram ao desentendimento em um sentido mais amplo; pode-se definir a punição por uma falta de respeito ocorrida de forma aguda e perder-se tempo sem uma ação mais efetiva nas carências pessoais das pessoas envolvidas.

O problema pode estar desde um desentendimento antigo em função de razões sem muita relevância, quanto a um quadro familiar instável que transmite insegurança, falta de perspectiva e revolta no jovem. Olhar para “o todo” permite que se observe a amplitude de experiências que move as condutas do ser humano; enxerga-se o macro, permitindo um maior repertório de atitudes a serem tomadas para a tentativa de solução do problema.

Muitas vezes, o profissional passa por situações, onde fica desapontado com as atitudes de seu superior (coordenador, supervisor, gerente e etc.). Percebe apenas o fato que o aborrece ou aborreceu em uma oportunidade específica. Costumeiramente, o profissional não faz o “bendito” exercício da reflexão para buscar as razões maiores para o ocorrido. Qualquer ação que provoque perda (normalmente financeira), leva o comandado a visualizar o ocorrido como injustiça.

A culpa é sempre de alguém (seja quem for); pode ser o colega que tem inveja, a(o) recepcionista que “não vai com sua cara”, o supervisor da área que não é bem humorado. Jamais fará uma análise mais profunda procurando observar os fatores de um patamar mais alto, que propicie uma visão mais ampla. Este patamar poderia permitir que se observasse a difícil situação do gestor na tomada de decisão quanto ao profissional (colaborador) que deveria ter, de uma forma ou de outra, perdas financeiras. Estes fatores devem criar um clima de insatisfação que deverá gerar cobranças em todos os níveis de atuação. Decidir-se por uma redução de profissionais ou no número de horas trabalhadas nunca será uma atitude prazerosa por parte da empresa. Gera um desgaste importante que deve culminar em ações que podem realmente desagradar.

O nosso egocentrismo nos leva a observar a situação de um ponto de vista muito estreito, reduzindo a possibilidade de visualizar uma realidade muito maior, que poderia nos trazer uma compreensão muito mais realista da situação.

Mais uma vez eu destaco que a análise da situação pode sim levar à conclusão de um “único culpado”, ou a uma situação isolada que levou àquela insatisfação. Mas, na maioria das vezes, um olhar criterioso sobre todo o sistema que envolve o processo decisório na empresa, nos leva a atitudes mais cuidadosas e eficazes, levando-nos assim a um maior desenvolvimento profissional e pessoal, aumentando nossa empregabilidade.

Bom trabalho!
Marcelo Jabur

contato@instrumenta.com.br

marcelo@marcelojabur.com.br