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Liderança - Busca ou descoberta

Está aqui um tema bastante discutido nos últimos anos. Eu diria mais: nas últimas três décadas, pesquisadores de todo o mundo buscam entender os fenômemos que caracterizam a liderança. A razão para isso? É simples: acredita-se que o líder possa guiar, conduzir ou direcionar pessoas para um objetivo único. Até esse momento, ainda não se discute o mérito do objetivo. Neste caso, caracterizaríamos como líder todo aquele indivíduo que tem a capacidade de mobilizar outras pessoas para uma conquista em que ele acredita como correta, justa ou adequada, independente se outras pessoas entendem aquele objetivo da mesma forma.

Nesse caso podemos discutir se é possível que alguém motive, guie ou direcione outra pessoa na busca de objetivos que não são verdadeiramente seus. “Ah! O bom líder transforma a maneira de pensar dos liderados de forma a fazer com que eles reconheçam o que realmente é importante!!!” Será? Dentro das organizações, fica clara a diferença individual entre os colaboradores, gestores e membros da direção de uma forma geral. Cada uma dessas pessoas são motivadas a desenvolver seus trabalhos por razões estritamente pessoais. É evidente que as particularidades não vão permitir que elas realizem o trabalho da maneira que pensarem ser mais adequada. Mas temos que entender que uma busca mais ou menos empenhada, dependerá do quanto ela se sente envolvida com aquela questão. Isso depende do líder? Acredito que sim. Mas destacaria uma resposta a essa pergunta: Isso depende do líder, também! Fundamentalmente dependerá dos fatores que motivam a pessoa, ou seja, do quanto chegar àquele objetivo atende suas necessidades pessoais. Como assim? Bom, se entendo que a motivação vem no sentido de se alcançar o atendimento a uma necessidade pessoal (e vem!!!), devo acreditar que qualquer iniciativa dos gestores líderes que desconsiderem as necessidades dos membros de sua equipe, tende a ser frustrada. Ou então ficamos no “finja que comanda que finjo que sou comandado!”

Essas necessidades são muito variadas. Vão desde o atendimento às questões básicas (fisiológicas) como alimentação para sobrevivência, como segurança, reconhecimento, interesse em pertencer a um determinado grupo. É claro que não falo de alguma coisa simples e objetiva. Se entendermos que as pessoas mudam suas necessidades à medida que elas são plenamente atendidas, percebemos o quanto o líder deve se atentar para os reais interesses de seu time. A mesma pessoa que se envolvia com os objetivos da organização para que não faltassem as necessidades de primeira ordem (alimentação, vestuário, higiene e etc.) em casa, pode, em um segundo momento, ser motivada pela busca do reconhecimento pelo trabalho. A percepção dessa mudança é crucial para a eficiência no processo de liderança.

O discurso do “vestir a camisa” já está furado há décadas. Desde a descoberta das limtações do Taylorismo é que se sabe o quanto o respeito à identidade de cada componente de uma equipe é importante. Se insistirmos na conversa repetida e fortalecida pelas tão faladas palestras motivacionais, continuaremos nos enganando por muitos anos. Não quero com isso dizer que as palestras são absolutamente improdutivas. O que quero ressaltar é que, se entendemos que a motivação vem do atendimento às necessidades individuais, não podemos acreditar que uma palestra proferida para centenas de pessoas possa atingir a todos, de uma maneira satisfatória. O que ocorre, em alguns casos, é que as pessoas se divertem com o show (o que particularmente considero positivo). Mas o foco do trabalho do líder, inclusive na escolha das palestras que seus colaboradores vão ouvir, deve estar na busca do entendimento das necessidades à serem atendidas. É isso que trará motivação para o trabalho.

Talvez por isso se explique o crescimento e a eficiência do trabalho do Coach. O Coaching atende às particularidades das pessoas. Nessa atividade, não interessa o que as outras pessoas ou a organização querem, e sim o que aquele indivíduo (que normalmente é muito importante para o sucesso da empresa), deseja.

É claro que em todos os momentos desse singelo texto, minhas referências com relação às necessidades são de fatores motivantes éticos e ecológicos. Não posso instigar no grupo que lidero a busca de seus objetivos em detrimento do bem estar alheio. Nesse caso não falo da competição justa e inerente ao trabalho. Me refiro à qualquer ato que entende-se como desonesto, desleal e anti-ético. Aí você, leitor amigo pergunta: Mas o que é anti-ético na minha opinião? E, nesse momento, recorro a um conceito que ouvi há alguns anos em uma palestra de um importante e respeitado psicanalista e escritor. “Ser ético é não fazer aos outros o que não gostaríamos que fizessem conosco”. Em caso de dúvida com relação aos méritos das ações que tomamos, bem como a de nossos liderados, basta seguir esse conceito.

Bom trabalho!
Marcelo Jabur

 

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